O experimento de entrada aleatória: desenho e configuração
O experimento descrito nas notas de estudo começa com uma regra de decisão deliberadamente rudimentar: para cada operação em cada um dos dez mercados, a direção — comprada ou vendida — é decidida por um cara ou coroa. Nenhum indicador, padrão de preço ou notícia influencia a escolha. O sistema então permanece no mercado continuamente, de modo que, quando uma operação é encerrada, outro lançamento de moeda determina a direção da posição seguinte. Dois outros componentes completam o desenho. As saídas são tratadas por um stop móvel posicionado a três vezes a volatilidade atual do mercado. O tamanho da posição é definido por uma regra de risco de 1%, que dimensiona cada operação de forma que ser encerrado pelo stop custe aproximadamente 1% do capital da conta. O propósito do exercício não é recomendar a negociação aleatória. Trata-se de uma demonstração controlada que isola quanto do desempenho de um sistema vem das saídas e da gestão de capital, e não da qualidade dos sinais de entrada. Os resultados relatados são impressionantes. Sem o dimensionamento de posição baseado em risco, o sistema aleatório foi lucrativo em cerca de 80% das execuções, com cada execução produzindo resultados diferentes, porque os resultados do cara ou coroa são distintos. Depois de adicionar a regra simples de gestão de risco de 1%, o sistema foi lucrativo em 100% das execuções ao longo do período de dez anos nos dez mercados. Os retornos foram descritos como modestos, e não espetaculares, e a confiabilidade das operações — o percentual de operações encerradas com lucro — foi de apenas cerca de 38%, próximo da média dos sistemas de seguimento de tendência. Ainda assim, um resultado positivo em todas as execuções testadas, obtido com seleção aleatória de direção e com a exigência de permanecer continuamente exposto, é o detalhe que torna o experimento digno de exame.
Por que uma entrada por cara ou coroa ainda pode gerar lucro
Um cara ou coroa não consegue prever preços. Ainda assim, neste experimento a escolha aleatória de direção não impediu que o sistema como um todo ganhasse dinheiro. A explicação está em onde reside a vantagem. A entrada determina apenas quando a exposição começa e qual lado do mercado é mantido. Ela não controla como uma operação termina, nem quanto capital é comprometido. Essas duas funções ficam a cargo do stop móvel e da regra de dimensionamento de posição. O stop móvel torna a distribuição de resultados assimétrica. As operações perdedoras são cortadas a uma distância predefinida, de modo que seu tamanho é limitado. As operações vencedoras podem continuar enquanto o mercado seguir se movendo a seu favor, de modo que seu tamanho não é fixado de antemão. Em qualquer mercado onde os preços ocasionalmente tendem, uma entrada aleatória tem chance de estar posicionada durante parte dessa tendência. Como a amostra contém muitas operações em dez mercados e uma longa janela de teste, os pontos de entrada formam uma amostra ampla e não enviesada das condições de mercado. O resultado é que o perfil de ganhos e perdas é moldado principalmente pela regra de saída, e não pelo timing da entrada. Uma condição necessária para esse resultado é a participação contínua. O sistema está sempre no mercado, então não precisa prever quando uma tendência começará; precisa apenas estar presente quando ela ocorrer. Isso não prova que as entradas são inúteis. Os sinais de entrada ainda afetam a frequência de negociação, o risco inicial e a eficiência do uso do capital, e um bom sinal pode muito bem agregar valor em um desenho diferente. Mostra, porém, que uma regra de entrada precisa ser medida contra uma referência aleatória antes de lhe ser atribuído o mérito de criar vantagem.



